ago 17 2008
Cidade angolana copia Curitiba para ser referência ecológica
Huambo, Angola – A cidade de Huambo está caminhando para ser a capital ecológica de Angola e pretende se afirmar como referência internacional, à semelhança de Curitiba.
O primeiro passo para essas aspirações foi dado com a criação, por deliberação do governo provincial, da Casa Ecológica, disse à Agência Lusa seu responsável, Júnior Chinendele.
“A Casa Ecológica é uma conseqüência do grande objetivo que o governo da província tem de transformar Huambo em uma capital ecológica”, explicou.
Instalada em pleno jardim botânico, no eixo verde que cruza toda a cidade, “a casa poderá trabalhar com vários setores da província, sócio-econômicos e culturais, para fazer sensibilização, educação e formação ambiental”, destacou Júnior Chinendele.
Além de trabalho com empresas, autoridades políticas e escolas, a Casa Ecológica tem o propósito de atingir uma dimensão internacional, afirmando-se como referência da África Austral, tal como Curitiba é para a América do Sul.
Para isso, o governo provincial firmou compromissos com a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e instituições universitárias estrangeiras, como a Universidade Livre do Meio Ambiente, brasileira.
“Pretendemos, como Curitiba, fazer de Huambo um centro de referência de formação das autoridades locais em questões ambientais”, disse o responsável.
O governo de Huambo também está em contato com o Instituto Jaime Lerner, que recebe o nome do ex-governador que fez a revolução ecológica da capital paranaense.
Uma parte da Casa Ecológica foi construída com materiais biodegradáveis, como madeira, e, enquanto favos abertos nas paredes refrescam o interior, hélices no teto utilizam o vento para renovar o ar e painéis fotovoltaicos no telhado convertem energia solar em eletricidade.
O exemplo ecológico que começa na casa pretende ser expandido pela cidade e por toda a província que, segundo Júnior Chinendele, tem grande tradição em matéria ambiental e forte currículo em termos acadêmicos.
De acordo com Chinendele, o meio ambiente em Angola está longe de ser recomendável. Os solos estão degradados e sofrem de erosão por uso excessivo e exposição prolongada à poluição de fontes domésticas; árvores têm sido indiscriminadamente abatidas para transformação em lenha e a biodiversidade registrou uma acentuada redução durante a guerra civil.
Palco de alguns dos momentos mais violentos da guerra civil angolana, Huambo é, hoje, um deserto em termos de vida animal. A universidade local prepara um estudo para avaliar a perda de biodiversidade durante o conflito.
No próprio jardim botânico, onde fica a Casa Ecológica, muitas espécies de plantas e animais desapareceram durante a guerra que se desenrolou dentro da cidade.
Por Henrique Botequilha, da Agência Lusa